Desde os seus primórdios, Alvalade afirmou-se como uma terra de passagem, cruzada e rasgada por múltiplos caminhos. Foi certamente em resposta a esta vocação itinerante que a Ordem Militar de Santiago da Espada, detentora do senhorio do território, instituiu, ainda na Idade Média, o Hospital do Espírito Santo.
Situado na antiga Rua da Cruz — ao lado do edifício onde funcionou o café «O Furo» —, este «hospital» funcionava, na prática, como um modesto albergue destinado a prestar assistência a pobres errantes, mercadores, peregrinos e demais viandantes. Regra geral, a instituição assegurava pousada por uma noite — por vezes mais —, oferecendo aos viajantes uma refeição quente, agasalho e cama para repousar antes de retomarem a sua jornada no dia seguinte.
Não surpreendeu, por isso, que em 2005, durante os trabalhos de demolição de uma antiga parede de taipa no local onde outrora se erguia o albergue, tenha surgido uma notável medalha de bronze dedicada a São Venâncio, o patrono dos viajantes. Segundo a tradição hagiográfica, o santo nasceu em Camerino, na região italiana da Úmbria, por volta de 250 d.C., sofrendo o martírio com apenas quinze anos de idade.
A face principal da medalha representa-o, de acordo com a iconografia tradicional, como um jovem guerreiro de armadura, empunhando numa das mãos a espada e na outra o estandarte. No anverso figura-se São Cristóvão, venerado também ele como protetor dos que se fazem à estrada.
De fabrico italiano e fundida em bronze, esta peça datável do século XVI encontra-se atualmente cedida e em exposição no Museu de Arqueologia de Alvalade…
— Luís Pedro Ramos com José António Falcão in «A a Z – Arte Sacra da Diocese de Beja», 2006.
Comentários recentes