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Hortas, uma tradição secular…

Hortas, uma tradição secular…

Quem percorre a cintura de Alvalade, depara-se com um cordão verdejante que teima em abrandar o tempo. São as hortas dos alvaladenses. Pequenos pedaços de chão, vigiados por canaviais, árvores de fruto e velhas oliveiras, que guardam uma tradição e herança com muitos séculos de existência, transmitida de pais para…

O verão de tempos idos…

O verão de tempos idos…

O calor de verão em Alvalade continua igual: pesado, lento, quase como se a própria terra estivesse cansada de carregar o sol. No entanto, falta-lhe aquele som, o eco vibrante que outrora definia estes meses. Quase perdidos na bruma dos anos, estão os dias em que o verão aqui era…

Memórias da minha infância…

Memórias da minha infância…

O meu tempo de garoto e adolescente foi feito de silêncio, de gente simples e almas humildes que a nossa vila acolheu e o vento dos anos acabou por esconder ou levar… Na quietude daqueles dias passados, temíamos a passagem do enigmático e velho Jordão, um maltês simplório e sempre…

Noites de cante e lamentos…

Noites de cante e lamentos…

Longe vão os tempos das noites infinitas nas ruas e nas tabernas de Alvalade quando se juntavam grupos de homens para desafiar a solidão dos dias. Ali, entregavam-se ao cante puro, um lamento sem o amparo de qualquer instrumento musical, que rasgava o breu da noite. Erguia-se, então, a dureza…

A sentinela de betão…

A sentinela de betão…

Erguido no terreno sagrado e sob a influência das ruínas da ermida de São Sebastião, o velho depósito elevado de água ergue-se no cimo da vila como uma sentinela solitária… Uma torre de betão que rasga o céu dos dias, guardando nas suas entranhas o latejar silencioso do precioso líquido.…

A ponte dos passeios…

A ponte dos passeios…

A icónica Ponte dos Arcos ergue-se como um esqueleto de betão sobre o rio Sado, suspensa sobre o tempo. É testemunha, há mais de 70 anos, do vaivém constante da vida: o ranger das viaturas que a usam, o eco das partidas sem promessa e o silêncio pesado dos regressos……

Bica, a fonte dos amores…

Bica, a fonte dos amores…

A velha fonte da Bica, que tanta sede saciou, guarda memórias de um tempo que já não volta… Foi ponto de encontro onde o tilintar das bilhas de barro ditava o ritmo dos dias. Quem bebeu daquela água, ainda hoje guarda no peito a nostalgia de um tempo e de…

Ruas com alma…

Ruas com alma…

Quantas gerações aqui viveram e fizeram estas velhas ruas fervilhar de vida? Por aqui circularam homens de chapéu e mulheres de xaile, figuras que transportavam o peso dos dias com uma resiliência silenciosa. Eram tempos do “bom dia” à porta, e da preocupação e solidariedade dos vizinhos que se manifestavam…

O adro da paz…

O adro da paz…

Ando por aqui há muitos anos… Nasci a escassos 15 metros do adro, quando ainda não tinha muro e o piso era de terra. Quando era um espaço de recreio improvisado, onde as crianças das imediações corriam, jogavam à bola ou inventavam as suas próprias brincadeiras. Aqui, o tempo ainda…

O forno…

O forno…

Quantos pães terão sido cozidos neste velho forno a lenha, que hoje jaz no Vale do Sado nas imediações da ORISUL? A boca escura do forno, agora fria, conta o peso do abandono. No entanto, tocando nas suas paredes de tijolo quase que se consegue ouvir o estalar rítmico da…

As escadinhas…

As escadinhas…

Pelas escadinhas do Cerro do Moinho subiram e desceram amores e desamores… Cada degrau guardava o eco de duas histórias distintas: a da subida, leve e cheia de expectativa, e a da descida, por vezes pesada pelo silêncio dos desencantos. Ali se cruzavam os que subiam com o coração aos…

A ECA…

A ECA…

As instalações da antiga ECA guardam muito mais do que o eco das máquinas ou o pó dos anos; elas guardam a história das famílias que ali nasceram. Quando olhamos para o que resta da fábrica não vemos apenas paredes e ferro, mas sim um berço desta comunidade. A ECA…

A ladeira do Quedas…

A ladeira do Quedas…

O nome da ladeira eternizou a alcunha do carismático taberneiro que, a meio da subida, servia copos de vinho e petiscos numa das portas mais concorridas da vila, no século passado. Até 1914, aquela rua inclinada foi a principal entrada da vila. Era também por ali que as mulheres da…

O tanque do abegão…

O tanque do abegão…

O tanque de pedra calcária que repousa no largo da igreja foi pertença do antigo abegão António Mestre (séc. XX). Artífice alvaladense de mestria reconhecida na arte dos carros de tração animal, de charruas e outras alfaias agrícolas, com oficina no fim da rua Padre Abel Varzim, onde trabalhava e…

Entre a Estação e a vila…

Entre a Estação e a vila…

O fumo negro da locomotiva dissipava-se no céu, mas a promessa de um mundo novo ficava retida nas paredes frias do velho armazém da Estação dos Caminhos de Ferro. Cada comboio trazia um pedaço do mundo moderno para Alvalade. Era ali que o progresso desembarcava, embalado em caixas de madeira…

Um fantasma de alvenaria…

Um fantasma de alvenaria…

O edifício do largo da Estação dos Caminhos de Ferro de Alvalade, construído por um tal Luis Serrano no primeiro quartel do séc. XX, está em ruína avançada. Apesar da sua decadência, ainda conserva os traços altivos e característicos de uma antiga casa senhorial. As janelas altas, agora sem vidros,…